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TOR Terceira Ordem Regular de São Francisco

A presença da TOR no Brasil é, antes de tudo, a semeadura de um ideal que brotou e deu frutos e que, agora, começa a tornar-se árvore centenária. Sinal seguro de que a semente, uma vez lançada, não se perdeu.
O Desejo Missionário de Padre Clausade
A história da Terceira Ordem Regular de São Francisco, na França, liga-se, no século XIX, ao nome do padre François-Marie Clausade, seu restaurador (1818-1900). O século anterior, marcado por contradições e excessos, passou à História da França como o século das luzes, porque renovara o pensamento crítico e filosófico, sistematizara o conhecimento e questionara os privilégios de alguns e a pobreza de muitos. Todavia, foi também um século de medos, visto que a luta filosófica, aumentando cada vez mais a agressividade dos escritores, atingia diretamente as tradições religiosas e políticas. Assim, a revolução, que lutava por liberdade, fraternidade e igualdade, nem sempre foi fiel a seus próprios princípios e cegou os que acreditavam que a nova ordem se imporia pela violência. É nesse contexto que vemos, a definitiva separação entre Igreja e Estado e centenas de sacerdotes, religiosas e religiosos serem mortos sem motivo, expulsos dos conventos que lhes eram confiscados e constrangidos ao exílio. A TOR sofre as mesmas conseqüências do processo revolucionário e dispersou-se.
Ao furor e aos descontroles de 1789, segue o efêmero e glorioso triunfo de Napoleão, mas também as bases organizativas do Estado moderno que, no caso francês, seria, por muito tempo, regido pelos interesses da burguesia. Crescia novamente o poderio econômico ao lado das manifestações da classe operária e dos movimentos sindicais e ideológicos. A religião retomava fôlego e a metade do século XIX conheceria um novo fervor mariano e missionário. Padre Clausade, sacerdote secular, não ficaria indiferente e impressionou-se muito com o trabalho dos missionários diocesanos que serviam no santuário mariano de Notre Dame de la Drèche, da diocese de Albi, no sul da França. Filho desta região, ele interviu a possibilidade de transformar aqueles padres religiosos franciscanos. Imbuído, pois, de incansável e determinada vontade, ele movimentou-se por toda parte: conseguiu a autorização eclesiástica necessária para a implantação de instituto religioso, arrecadou fundos para a ampliação da Igreja de la Drèche, recuperou as ruínas de um antigo priorado – Ambialet – e instalou ali o noviciado da Terceira Ordem Franciscana. Ele mesmo foi o primeiro noviço e, com o tempo, outros o seguiram numerosos.
Todavia o cenário político e social do país crescia o laicismo e o anticlericalismo, fato que culminou, em 1880, novamente, com a dissolução e a expulsão dos terciários franciscanos de Notre Dame de la Drèche e de Ambialet. Houve dispersão de religiosos, mas não do ideal. Assim, quando as autoridades civis afrouxaram as decisões, os frades voltaram a seus conventos e atraíram outros à vocação. Apesar do humanismo racionalista que se desenvolveu amplamente por todo o século XX, os primeiros anos foram cruciais: o bloco esquerdista da Assembléia Nacional, francamente republicano, entra em choque com a Igreja Católica e vota, em 1901, a Lei sobre as Associações, contra as congregações religiosas. Essa lei, que seria aplicada com intransigência no ano seguinte, provocou a ruptura com a Santa Sé e, em 1905, a separação da Igreja e do Estado, ocasionando diversos incidentes.
Em 1903, frei Bernard Bonnet, superior da TOR após a morte de padre Clausade, prevendo dias difíceis para seus irmãos, viu no Brasil um possível campo de missão, o que foi providencialmente confirmado pelo pedido de monsenhor Luiz d’amour, bispo de Cuiabá, no Mato Grosso. A perseguição e a expulsão dos religiosos não diminuiu seu desejo de servir e anunciar e, em 1904, o Brasil torna-se a nova pátria em que, com a própria vida e com as próprias mãos, semeariam o Evangelho.

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