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Dom Galibert

Pierre Galibert

Nasceu numa pequena cidade no Sul da França, em 1877, no seio de uma família camponesa e profundamente cristã. E nela que vão se desenvolver os sentimentos mais profundos de sua fé e que o conduzirão à vida religiosa muitos jovem. Aos 12 anos, torna-se um dos primeiro alunos do Colégio Missionário e passa a adolescência em Ambialet. Dessa época, suas lembranças serão sempre de alegria: formava-se no jovem coração um amor ardente, integro, consciente de sua pequenez, mas absolutamente confiante e entregue a Deus. Aos 16 anos, é admitido no noviciado.

Excelente e dedicado aluno, é enviado a estudar Letras em Angers, ande se gradua bacharel. Isso lhe permitirá, mais tarde, o exercício do magistério no Colégio Sainte Marie de Albi. Seu caráter era sóbrio, alegre e tranqüilo, talhado pelo reconhecimento de que a vida espiritual é um longo caminho de perseverança e humildade.


Em junho de 1902, é ordenado sacerdote e é com intenso desejo missionário que o jovem frade vê partir a primeira missão franciscana da TOR para o Brasil, em 1904. seu sonho realiza-se no ano seguinte:

“Realmente, eu me considero muito feliz por ter sido escolhido. Sou um operário bem pobre, não tenho nenhuma das qualidades que são necessárias para isso e, às vezes, me pergunto qual seria a minha utilidade. Eu vou lhes levar toda a minha boa vontade e o desejo bem sincero de consagrar toda a minha vida a essa querida pátria distante. E se for preciso sofre, melhor ainda, porque no Brasil como em qualquer parte, não conseguimos fazer nada de grande a não ser colocando o sangue de nossas veias ou de nossos corações”.

Frei Luis Maria Galibert parte para o Brasil em 1905, para as missões no Mato Grosso, com mais três sacerdotes, três irmão e quatro Irmãs Azuis. Às vésperas de sua partida, eles vão à Lourdes, para entregar à Mãe de Jesus o seu destino.

Nas anotações do jovem missionário foram encontradas estas palavras, que atestem os sentimentos que o animavam e que iam sustentá-lo toda a vida:

“Bendito sejas, meu Deus, pro me teres honrado com tua eleição”.
E com uma alegria profunda e uma grande serenidade de espírito que me lanço para o futuro. Coloca em meu coração, o sacrifício da minha vida. Eu te ofereço tudo o que deixo e aceito o que me ofereces. E te peço apenas a graça da generosidade e da perseverança, para que eu possa te servir sempre na alegria de espírito e na pureza do coração ““.

Desde o início, o trabalho foi intenso e as dificuldades inúmeras. Se houve momentos de desânimo, de perigo e de dor, não faltou nunca a humildade da perseverança, o desvelo pelos pobres e doentes, o respeito pela cultura do povo, o maravilhar-se da natureza virgem, o desejo maior de anunciar a Boa Nova.

Frei Luis Maria comovia-se diante do sofrimento e das injustiças:

“Os que extraem a borracha são os mais infelizes. Vivem de março a outubro no fundo das florestas para recolher a serva da seringueira e a coagulá-la, antes de vendê-la em pelotas de 66 quilos. Sem patrões ficam ricos, mas eles perdem a saúde e ficam cheios de dividas, (...) A escravidão foi oficialmente abolida, mas continua pior do que nunca”.

Em 1915, por obediência e porque mais ninguém quis assumir o cargo, devido à falta absoluta de condições matérias, frei Luis Maria aceita ser o primeiro bispo da recém-criada diocese de São Luis de Cárceres. Aumenta o trabalho, cresce o zelo apostólico.

Vinte anos após sua nomeação episcopal, ele escreveria um ato de oferecimento de sua vida:

"Jesus,

Apesar do profundo sentimento de minha indignidade, de todo meu coração e com alegria, responda ao teu misericordioso convite. Hoje e por toda a minha vida, eu me ofereço a ti como tua pequena vitima. Para consolar teu coração de alguma forma, para obter a conversão dos pecadores e a multiplicação das almas fervorosas e generosas, eu me abandono totalmente e sem reservas à tua santa vontade. Dispõe de mim, senhor, como te agradar. Meu corpo e minha alma, meus sentidos, meu espírito, meu coração, minha vontade, minhas obras meus pobres méritos, minha vida e minha morte: tudo é teu. Só te peço uma coisa, por intercessão de tua santa Mãe: tu conheces minha fraqueza e minha inconstância, fortifica-me e conceda-me a graça de ser fiel em tudo, até a morte."


A graça foi abundantemente concedida. Dom Galibert esteve à frente de seu povo durante 40 anos. Fiel e generoso pastor. “Uma vida iluminada, porque nunca escondeu a Luz, fecunda, porque aceitou, como a grão de trigo, ser lançada na terra: santa, porque compreendeu que amar é doar-se”.
Com os anos, veio também o esgotamento das forças físicas e Dom Galibert deixou seu cargo e voltou para a terra natal. “Despediu-se, afirmando que fosse aonde fosse, o seu coração de bispo haveria de permanecer em Cárceres”.

Viveu ainda dez anos em Notre Dame de La Dréche, onde estivera quando jovem. Mesmo perdendo a memória, não perdeu o espírito de oração e o zelo missionário que impulsionou a sua vida, que justificou todos os seus dias, que santificou a fidelidade que prometera ao consagrar-se a Deus.

Por toda a sua vida dedicada de forma apaixonada à missão, pela entrega ao Evangelho, pela humildade que o caracterizou, a TOR apresenta Dom Galibert como um modelo e exemplo e pede sua beatificação.